Este é o spot publicitário que passou há coisa de minutos na tv.
O típico anúncio parvo que pretende passar a imagem de que os dias em que se está menstruada são espectacularmente divertidos e animados e o período é a coisa mais maravilhosa do mundo. Totalmente falso, do início ao fim.
Desta vez, o que me chamou particularmente a atenção foi o que se passou ali a partir do 0:05 min. (ou no segundo 5, como queiram).
Acompanhem-me: começamos por visualizar o produto anunciado - o conjunto aplicador + tampão - pronto a utilizar e a maravilha (!!!) que aquilo é para as mulheres. Seguidamente, a menina faz o obséquio de nos mostrar o dito coiso e, por estar apenas a vestir soutien (que nós vejamos) e pela sua carinha de marota, sugere que está prestes a enfiar o tampão no sitio onde ele pertence... aí vai ela... e quando retira as mãos lá de baixo... OOOOOOOOOPS!!
Reparamos que ela se esqueceu do aplicador algures!!!! Onde é que ele está? Ou tu és da família do Luís de Matos ou há algo de errado neste anúncio.
Minha querida, o aplicador não entra!! Só fica à porta para dar um empurrãozinho...
Então por isso é que achas que ficar menstruada é fixe...
Estarás tu a tentar tirar partido de uma coisa que, na primeira abordagem, não tem graça nenhuma?
"Ai o que eu gosto disto! Isto podia era ser mais grosso um bocadinho. Mas! já dá pra ficar aconchegadinha. Isto de facto veio PREENCHER UM VAZIO na minha vida. Acho que vou passar a usar disto o mês inteiro, enquanto não arranjar namorado."
No sossego do lar, os últimos cartuchos são passados no sofá da sala. Como lar que se preze, em frente a um sofá tem de existir um televisor e para o degredo ser em pleno esse televisor tem de exibir a programação da tarde da televisão nacional.
(aparte: acabei de ver passar na rua um motociclista sexagenário que conduzia de boca aberta. Não me parece grande ideia porque desconfio que vai chegar ao destino com a barriga cheia… de asaaaaas, como diria o touro vermelho.)
Quando eu me lembro que a grande Júlia Pinheiro já teve uma das suas tardes dedicadas ao cocó - e desta vez de uma maneira literal e não apenas metafórica - onde a mensagem principal a reter era algo como “se a tua tripa ou arredores tiver algum problema, pode ser importante olhar prá caca que tens estado a fazer” (gosto mais de utilizar uma outra palavra em vez de caca, mas para o efeito posso assegurar que a merda é a mesma) surge o canal privado da concorrência a estrear um programa a transmitir em directo um parto!! Um parto, minha gente!! Uma cesariana (vá lá!!). Fiquei petrificada e um bocadinho incomodada mas ao mesmo tempo atenta ao que se estava a passar ali diante dos meus olhos. Porquê??
Primeiro: fiquei muito desiludida por ficar a saber que afinal os bebés não são trazidos por cegonhas de Paris. A comunicação social podia ter dado essa notícia de uma maneira mais subtil, não? :P
Segundo: eu, que nunca pari ninguém, parto do pressuposto que aquele momento é de extrema importância para a mamã e que essa importância é proporcional ao nível de intimidade do mesmo. Tanto que há por aí almas que são apologistas de que as horas pequeninas se passem em casa (coisa que também não concordo, e se há pessoa que pode discordar de partos fora de ambiente hospitalar sou EU!). Mas hoje aquela senhora decidiu que todo o Portugal merecia ver a sua barriga aberta… quer dizer, quase todo o Portugal…porque eu vi a criatura nascer, mas em compensação o recém papá não. Awesome.
*momento dramático-imaginativo* “É que era só o que faltava! O meu marido que se aguente no corredor! Ai de quem o meter aqui dentro! Desfaço-o! É um medricas, sempre que vai tirar sangue desmaia e se acorda com o nariz a pingar já acha que está com gripe suína. Prefiro que esta repórter que eu nunca vi mais gorda me segure a mão. E quando chegar a casa vou poder trocar impressões sobre a minha performance passiva de hoje com a minha vizinha do 2º esquerdo.”
Terceiro e último: o método da coisa. Eu conhecia a teoria da cesariana, mas confesso que nunca tinha visto uma em directo. Por acaso já vi um parto normal e dispenso ver mais algum seja de que maneira for, mas uma cesariana numa tv nacional, às 17h, nunca. Na sala de espectáculo, estavam uma meia dúzia de profissionais que deviam ser seguramente um(a) obstetra, um(a) anestesista, uma enfermeira parteira (“parteira abortadeira”, como dizia o Aleixo) e mais pessoal de enfermagem, digo eu, uma repórter e uma mega barriga aberta besuntada em Betadine.
Agora acompanhem a imagem: a médica está a abrir caminho em direcção ao alvo, de bisturi em punho, e quando avista o bebé põe a mão de látex pelas entranhas da mãe adentro, escarafuncha um bocado como quem tira a rifa premiada da tômbola e XARAM! Saca uma cena ligeiramente arroxeada de lá que parece uma hérnia gigante mas que afinal é um ser humano que passado um minuto berra que se farta (e sabe-se lá quando se vai calar!). Separam-nos, esfregam o dito cujo, embrulham-no, fecham a parturiente e já está.
No final da reportagem estava tudo muito emocionado… Um verdadeiro momento Fátima Lopes (a santinha, não a estilista).
Fiquei a pensar que a Natureza é mesmo prodigiosa e perfeita porque nos elimina as memórias dos nossos primeiros momentos de vida e ao mesmo tempo nos dá mães cujo primeiro enorme acto de coragem enquanto mães é pôr-nos neste mundo.
Para não ter mais surpresas, preferi desligar o televisor.
A escola primária que eu frequentei fechou.
Este ano a minha escolinha construída no tempo do Salazar - um daqueles edifícios de duas salas com um recreio XL que existiam em praticamente todas as freguesias – onde a minha irmã aprendeu a ler, onde a minha mãe aprendeu a fazer contas, onde a minha avó ensinou tantas crianças, não resistiu aos novos planos e reformas de educação e fechou.
Os miúdos agora vão para uma outra escola aqui perto, maior e que está melhor equipada face às necessidades de hoje. Está certo. Concordo plenamente.
Fica aquela nostalgia de não ver mais a canalha brava a subir as árvores e a esfolar-se toda na areia grossa do recreio, como nós fazíamos. Pelo menos ali. Espero que o façam num outro sítio, mas que o façam! Tenho lembrado alguns episódios daqueles tempos (taaaaaaaaantos!!) e resolvi partilhar um deles, em forma de composição, como nos bons velhos tempos :D
“O meu recreio”
A minha escola tem um recreio. O recreio é grande, tem muitas árvores e onde o gradeamento do recreio termina, a estrada começa. É um gradeamento de ferro e é verde-escuro. Quando entramos na escola, pelo recreio, temos de subir 5 degraus, ou seja, a escola e o gradeamento estão numa cota superior em relação à estrada (eu, aos 8 anos, não diria esta frase numa composição, mas é só para visualizarem. É importante.).
Eu gosto muito do recreio; gosto muito de brincar com os meus amigos à apanhada, ao elástico e à macaca. Quando os meninos deixam, também gosto de jogar à bola. (eheheheheh… isto é verídico!).
Eu e os meus amigos gostamos muito dos vizinhos da escola e também acenamos sempre ao Sr. Carlos, que conduz o grande autocarro que passa mesmo muito junto ao recreio e que faz com que a estrada de repente pareça muito estreitinha! Um dos meus amigos bate um bocado mal daquela cabeça (mais uma coisa que eu não diria se isto fosse uma composição da 3ª classe, mas é verdade!) e um dia decidiu mostrar-nos isso mesmo. Estávamos todos no recreio e ele resolveu pôr a cabeça dele entre o gradeamento e quando a quis tirar percebeu que tinha ficado preso pelo pescoço. Ficou de quatro, com o rabo virado para a escola e com os olhos no alcatrão da estrada. O gradeamento do recreio da escola transformou-se na coleira dele! Ah ah ah! Foi muito engraçado! (isto eu escrevia) Ele começou a chorar quando percebeu que estava preso e chorou ainda mais quando lhe começamos a gritar “Vem aí o Sr. Carlos!! Vem aí! E vai bater com o autocarro na tua cabeça gorda e vazia!”. Entretanto, a nossa professora e a dona Deolinda (a funcionária) ouviram as nossas gargalhadas e os gritos do meu amigo e vieram ajudá-lo ao mesmo tempo que nos mandavam calar. O vizinho da frente também ouviu e foi ele que trouxe e usou uma ferramenta para alargar as duas barras de ferro que estavam a prender o pescoço do coitado.
Voltámos todos para a sala e todos ouvimos um grande sermão: nós porque não ajudamos o nosso amigo e ele porque foi burro e meteu a cabeça onde não devia.
Acabou o recreio. Amanhã há mais.
Ah! O autocarro do Sr. Carlos só passou dali a meia hora.
Não sou nenhuma expert em política. Em História, no geral. (acreditem que estou a trabalhar para mudar isso!) Reconheço a importância de conhecer o passado para podermos tomar melhores decisões no futuro.
E... um dia destes ganho coragem para expôr o meu ponto de vista acerca das políticas de exclusão/expulsão de alguns países europeus em relação à comunidade cigana.
Coragem!
Era só para avisar que este blogue não vai passar a ser escrito segundo acordo ortográfico nenhum.
Está bem?
Está tudo de acordo?
Acho que a minha professora dos tempos de escola primária não ia achar muita graça se, de repente, soubesse que já não sigo os seus ensinamentos.
Não tema, professora! Quero que saiba que sou fiel ao meu português que tão bem me ensinou a escrever e que não estou minimamente preocupada com o faCto de me poderem baPtizar de "Joana D'Arcaica", e neste reCtângulo em que escrevo neste momento não vou hesitar em escrever como sempre escrevi, a construCção das frases será pensada e feita da única maneira que conheço.
Eu sei que a língua está em constante evolução e pode (e deve) ser adaptada até porque é sinal que está viva e blá blá blá... mas... não me apetece!
Não quero.
Pronto.
Tenho dito.
Ficou-me no ouvido desde as 8h, estava eu a caminho da labuta do costume... Sinto falta de escrever qualquer coisa com um bocadinho vestigial de graça, mas sinto ainda mais falta de ter tempo para escrever as ditas coisas.
Fica a pergunta: Se o pavilhão esteve longe de estar cheio, para que é que serviu o acampamento cigano que se plantou ali durante 15 dias em plena praça pública?
Que a questão é controversa, já se sabe; mas ao ponto de se organizar uma marcha assim... é inacreditável!!
O que me deixou mesmo de boca aberta é a falta de justificação que os elementos participantes da dita manifestação apresentam.
"O casamento entre homossexuais não funciona!!" ... porquê? (parece-me uma pergunta pertinente) ... "porquê???? o senhor acha que eu tenho de lhe explicar???"
Ter até não tem, mas não era nada má ideia! Quando se vai á luta por algo em que se acredita e que faz para nós todo o sentido, é mais do que normal - e é isso que se espera de uma manifestação pública - poder explicar o nosso ponto de vista aos outros. Esta senhora teve o privilégio de poder expôr a sua opinião a nível nacional e não o fez. Não conseguiu. Porque será? Eu estava muito interessada em saber porque é que não funciona a união entre pessoas do mesmo sexo, mas fiquei sem saber. Permaneço ainda na escuridão da ignorância.
Segue-se um manifestante ("armado" de mulher e filhos!!!!) que dá o fantástico exemplo das relações entre animais.
"Na própria Natureza os animais não andam dois machos e duas fêmeas a acasalarem uns com os outros! Uma vaca e um touro é que é! (risada)"
Tenho uma novidade para este senhor: existe comportamento homossexual entre animais irracionais. Chocado??? Alguns pinguins e centenas de outros animais não ficam chocados.
Porque é mesmo assim. Muitos animais apresentam comportamentos homossexuais ou bissexuais durante toda a sua vida; de entre estes, alguns adoptam práticas homossexuais porque surge a "necessidade" (quase obrigação da Natureza, quissá pelo facto de serem irracionais e seguirem o seu instinto) de acasalarem e darem continuidade à sua espécie.
E isso faz parte do equilibrio da própria Natureza!!!!!!!!! É a selecção evolutiva que permite travar o aumento desmedido dos seres da mesma espécie.
Enfim, eu não sou bióloga nem antropóloga nem nada que assemelhe a isso, isto são coisas que fazem parte do conhecimento geral e do raciocínio lógico.
Comparar seres humanos a animais é a coisa mais absurda e mais rebuscada e mais TUDO que eu já ouvi.
Seguindo... (porque esta manif está repleta de gente, no mínimo, sinistra.)
Eu sou católica. Estas pessoas são fanáticas. Talvez por isso eu jamais fosse capaz de envergar uma camisola com a imagem de Cristo estampada na barriga e gritar a altos berros que sou contra a felicidade dos outros.
"O meu filho sabe quem é o pai!" ... (o que eu me ri quando li esta frase!! ahahahahahah!!)
Erguer objectos como terços e Bíblias como quem ergue um cartão vermelho a um jogador que partiu propositadamente dois dentes a outro durante um jogo felizmente é coisa que não se vê todos os dias. Se se visse, o mundo já não seria um lugar tão bonito para se viver.
Estas pessoas querem exorcizar os homossexuais!!!
Os gays e as lésbicas até seriam bem aceites na sociedade se não existisse esse pequeno 'senão' de estarem todos possuídos pelo demónio, não era? Pois... é pena... que chatice.
(no final da manifestação devem ter-se reunido todos no pavilhão da IURD... ou coisa que o valha.)
E para rematar:
"Família unida jamais será vencida."
É impressão minha ou no 25 de Abril de 74 o lema "o povo unido jamais será vencido" foi o que mais se ouviu? E era em luta da liberdade, não era? Era para acabar com a opressão... acho eu.
Agora fiquei um pouco confusa; afinal é para acabar com a liberdade ou para deixar toda a gente seguir a sua vida como bem entender, sem pôr em causa a liberdade dos outros?
Que falta de respeito.
Eu não estou a ver em que medida o governo aprovar o casamento entre pessoas do mesmo sexo põe em causa a minha liberdade nem enquanto heterossexual, nem católica, votante, estudante, nada. Não me sinto prejudicada nem um bocadinho assim.
Como eu costumo dizer tantas vezes: pá, por mim é na boa!
Esta manifestação de revolta é composta por pessoas que são casadas pelo civil, pela Igreja, têm filhos, netos e nenhum homossexual na família, não é?
Então eu acho que deviam ir para casa cuidar dessa família perfeita, desse sonho tornado realidade, dessa benção divina, desse poço de orgulho, dessa jóia da coroa, desse ouro sobre azul... sério...